Reforma tributária nos condomínios: o que síndicos e moradores precisam saber

Caetano Souza 18/09/2026

A reforma tributária começou a mudar a forma como impostos sobre produtos e serviços funcionam no Brasil. E, mesmo que o assunto pareça distante da rotina de um condomínio, algumas dessas mudanças podem chegar aos contratos, fornecedores, receitas e até à organização financeira dos prédios.

Mas isso significa que a taxa de condomínio vai aumentar?
Não necessariamente.

O impacto dependerá da realidade de cada condomínio, dos serviços contratados e também da origem de suas receitas.

O que muda com a reforma tributária?

A reforma criou dois novos tributos importantes: o IBS e a CBS.

CBS: novo tributo federal sobre bens e serviços.

IBS: novo imposto administrado por Estados e municípios, também relacionado ao consumo de bens e serviços.

Eles vão substituir gradualmente tributos que conhecemos hoje, como PIS, Cofins, ICMS e ISS.

A mudança será feita aos poucos, durante um período de transição que começou em 2026 e seguirá até 2033.

O condomínio vai começar a pagar novos impostos?

Não é tão simples.

Pela legislação atual, o condomínio edilício não é automaticamente considerado contribuinte de IBS e CBS.

Porém, existem situações específicas que precisam de atenção.

O condomínio pode, por exemplo, optar por entrar no chamado regime regular dos novos tributos. Nesse caso, IBS e CBS passam a incidir sobre os valores cobrados dos condôminos e também de terceiros.

Regime regular: é o sistema normal de cobrança e apuração desses novos tributos.

Para condomínios que vivem basicamente das contribuições mensais dos moradores, a situação tende a ser mais simples.

Já aqueles que possuem outras fontes importantes de receita precisam acompanhar o assunto com mais cuidado.

Atenção às receitas além da taxa de condomínio

Alguns condomínios recebem dinheiro de outras fontes além das contribuições dos moradores.

É o caso, por exemplo, de valores recebidos com locação de espaços, instalação de antenas, publicidade ou outras operações com terceiros.

A legislação criou uma regra importante: se o condomínio não estiver no regime regular e as contribuições dos próprios condôminos representarem menos de 80% de toda a sua receita, determinadas operações podem passar a sofrer incidência de IBS e CBS.

Isso não significa que qualquer receita extra fará o condomínio pagar imposto.

O que importa é entender quanto essas receitas representam dentro do orçamento total e qual é a natureza de cada operação.

Por isso, condomínios com receitas próprias relevantes devem acompanhar essa questão junto à administradora e à contabilidade.

Os fornecedores podem ficar mais caros?

Esse talvez seja o efeito mais perceptível para a maioria dos moradores.

Um condomínio contrata diversos serviços: limpeza, portaria, manutenção de elevadores, segurança, administração, tecnologia, obras, jardinagem, entre outros.

As empresas que prestam esses serviços também estão se adaptando à reforma tributária.

Por isso, ao longo dos próximos anos, novos contratos e reajustes poderão refletir mudanças na forma como essas empresas calculam seus custos e tributos.

Isso não quer dizer que todos os serviços necessariamente ficarão mais caros.

Por esse motivo, quando um fornecedor justificar um aumento dizendo que ele ocorreu por causa da reforma tributária, é importante analisar de onde realmente veio esse reajuste.

2026 já trouxe mudanças práticas

Embora a transição seja longa, algumas adaptações já começaram.

Em 2026, Receita Federal e Comitê Gestor do IBS divulgaram um cronograma para adequação dos documentos fiscais eletrônicos às novas regras.

Entre os documentos previstos está a Nota Fiscal de Serviço eletrônica relacionada às taxas e outros valores cobrados pelos condomínios.

Isso significa que síndicos, administradoras e profissionais responsáveis pela parte financeira precisam começar a acompanhar não apenas os custos, mas também as mudanças na documentação fiscal.

Síndico e administradora terão papel ainda mais importante

Com tantas mudanças acontecendo gradualmente, organização será fundamental.

Contratos, receitas, reajustes, notas fiscais e previsões de despesas precisarão ser acompanhados com atenção.

O papel do síndico não é dominar toda a legislação tributária, mas saber identificar situações que precisam ser analisadas por profissionais especializados.

Da mesma forma, uma boa administradora ajuda a organizar informações, acompanhar contratos, preparar o orçamento e manter os moradores informados sobre mudanças que realmente tenham impacto no condomínio.

A taxa de condomínio vai aumentar por causa da reforma?

Não existe uma resposta única.

A reforma tributária, por si só, não determina um aumento automático da taxa condominial.

O valor poderá mudar se os custos reais do condomínio aumentarem, seja por contratos, serviços, manutenção ou outras despesas.

Por isso, antes de associar qualquer reajuste à reforma tributária, é importante entender o que efetivamente mudou no orçamento.

O que os moradores precisam saber?

Para o morador, talvez o principal ponto seja justamente esse: não é necessário decorar siglas ou entender todas as regras fiscais.

O mais importante é que exista transparência.

Quando houver mudanças relevantes nos custos do condomínio, os moradores devem conseguir entender por que determinado serviço aumentou, como isso afeta o orçamento e quais alternativas foram avaliadas.

A reforma tributária será implementada de forma gradual, e muitos dos seus efeitos ainda serão percebidos ao longo dos próximos anos.

No setor de Administração de Condomínios da SImão Imóveis, acompanhamos as mudanças que podem impactar a gestão e a rotina dos condomínios, sempre buscando manter síndicos e condôminos informados e preparados para tomar decisões com mais segurança.

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